Não aceite ser um bastardo civilizado.

Ser um bastardo civilizado é aceitar a castração da sua própria essência. É permitir que o sistema, com suas normas e valores podres, molde sua existência até você se tornar uma sombra de si mesmo, uma criatura dócil, domesticada e incapaz de insurgir-se contra as correntes invisíveis que o aprisionam. A civilização, tal como a conhecemos, é uma farsa. Ela não é sinônimo de progresso ou de ordem, mas de controle, de exploração e de repressão. Ser civilizado, nos termos do sistema, é anular sua capacidade de rebeldia, é sufocar o grito de insatisfação que ecoa dentro de você e aceitar a rotina da servidão como se fosse um privilégio.

O bastardo civilizado é aquele que se rende à alienação cotidiana, que aceita a normalidade imposta sem questionar o porquê. Ele acorda, trabalha, consome e dorme, numa existência cíclica que se repete até a morte, sem jamais se perguntar quem lucra com sua obediência. Ele é aquele que abaixa a cabeça diante das injustiças, que se submete às hierarquias sem enxergar a violência que elas perpetuam, que internaliza a autoridade como algo natural e inquestionável. Ele é o produto final de uma sociedade que precisa de robôs, e não de indivíduos livres.

Ser civilizado significa negar o caos que faz parte da vida. O sistema nos ensina que a ordem é a única forma aceitável de existência, mas essa ordem é imposta pela força, pela coerção e pela dominação. Ela não serve ao bem comum, mas àqueles que detêm o poder. A civilização é uma máquina de esmagamento, que transforma seres humanos em engrenagens, peças substituíveis que devem cumprir seus papéis para manter a estrutura intacta. Ela domestica o indivíduo, destrói sua espontaneidade e seu desejo de ser algo além de um servo produtivo. Ser civilizado é aceitar a mediocridade imposta por uma elite que decide o que é certo, o que é moral, o que é aceitável.

Não aceite ser um bastardo civilizado. Recuse-se a ser uma versão diluída de si mesmo, moldada para se conformar às expectativas de uma sociedade corrupta. Ser civilizado, nesse contexto, é ser cúmplice de um sistema que explora, que segrega, que mata. A civilidade pregada pelo Estado e pelo capital é a pacificação das mentes, o adestramento dos corpos e a anulação da liberdade. Ela prega a falsa moralidade, onde questionar a ordem é visto como selvageria, e onde o silêncio diante da opressão é louvado como virtude.

A verdadeira selvageria é a do sistema. Ele mata todos os dias, com fome, com guerras, com a destruição da terra, enquanto prega a paz civilizada. Ele rouba a vida de milhares sob o pretexto da lei e da ordem, mas chama de barbaridade qualquer resistência real. O bastardo civilizado é aquele que olha para essa realidade e se conforma, porque foi condicionado a acreditar que não há alternativa. Ele defende seus opressores, porque tem medo da liberdade. Ele é o carcereiro de si mesmo, trancado na prisão de suas próprias crenças fabricadas.

A recusa à civilização imposta é um ato de libertação. Não se trata de rejeitar a convivência humana, mas de rejeitar a ordem que se impõe pela violência simbólica e física, que nos obriga a nos desumanizar em nome da “civilidade”. Ser civilizado, nas condições atuais, é aceitar a submissão como destino, é apagar o instinto de revolta, é anular a capacidade de sonhar com algo além das correntes invisíveis que nos prendem. A civilização moderna é a máscara da barbárie do capital, uma fantasia que esconde a verdadeira natureza de um sistema que se alimenta da opressão e do sofrimento.

Não aceite ser um bastardo civilizado. Abrace o caos, a desordem criativa, o impulso revolucionário que o sistema tenta sufocar. O bastardo civilizado é um fantoche, um servo que se acredita livre porque seu cárcere é confortável. Mas o conforto é uma armadilha, a anestesia que precede a morte do espírito. A liberdade não está na civilidade imposta, mas na insubmissão, na capacidade de dizer não ao que é considerado normal e aceitável. Só assim você pode se tornar realmente humano, um ser que não se curva às forças que tentam dominá-lo.

A civilização como a conhecemos é a negação da vida autêntica. É a padronização da existência, onde o ser é substituído pelo parecer. Recusar-se a ser um bastardo civilizado é retomar sua humanidade, é destruir as amarras invisíveis que controlam seu corpo e sua mente. É destruir a ideia de que só podemos existir dentro das grades que nos foram dadas.


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