Quem tem medo do feminismo negro?
Mas a verdade é que o feminismo negro se faz necessário porque mulheres negras vivem uma opressão dupla, como bem descreveu Kimberlé Crenshaw ao desenvolver o conceito de "interseccionalidade". Ser mulher e ser negra numa sociedade estruturada pela supremacia branca e pelo patriarcado é carregar nas costas um peso que o feminismo branco não alcança. "O Olho Mais Azul", de Toni Morrison, e "Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola", de Maya Angelou, mostram as cicatrizes deixadas por essa sociedade. Não são histórias de vitimismo, mas de resistência. São relatos que escancaram o racismo e o machismo estruturais, que insistem em negar qualquer possibilidade de liberdade plena para mulheres negras.
Quem tem medo do feminismo negro são aqueles que têm medo de ver suas próprias falhas. É a elite branca e progressista que defende uma igualdade vazia, sem se comprometer a ouvir as vozes que desafiam seus privilégios. É o sistema que teme a fúria organizada de quem, por tanto tempo, foi colocado nas margens da sociedade. O feminismo negro não pede permissão, ele invade, ele incomoda. Porque ele luta por uma mudança real, uma mudança que mexe nas estruturas mais profundas.
Lélia Gonzalez, em suas reflexões, apontou o racismo presente nas microagressões cotidianas, no modo como mulheres negras são tratadas como invisíveis ou como objeto de fetiche. E Djamila Ribeiro, com "O que é Lugar de Fala?", insiste na importância de dar voz a quem sempre foi silenciado. Quem tem medo do feminismo negro? Aqueles que têm medo de perder o controle.

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