A esquerda está perdendo tempo!
A esquerda perde tempo. Enquanto uns discutem as minúcias ideológicas, outros apontam os dedos para deslegitimar quem tem posição diferente. A cada disputa sobre a pureza de ideias ou quem está mais alinhado à teoria perfeita, o mundo real continua girando sem pausa. Enquanto se digladiam internamente, os poderosos seguem acumulando, legislando, explorando. É isso o que querem? O que, exatamente, acreditam que estão conquistando ao enredar-se em disputas intermináveis e vãs?
A questão não é ter razão ou ter o discurso mais alinhado. O tempo gasto com essa vaidade intelectual é o tempo que poderia ser aplicado na ação real, na transformação concreta das vidas das pessoas que sofrem agora. Em algum lugar, alguém é despejado. Em algum lugar, alguém sofre na fila de um hospital. Em algum lugar, alguém trabalha até não aguentar mais, enquanto discute-se quem leu mais livros ou tem o argumento mais polido. O capitalismo se aproveita dessas distrações, desse racha no coletivo, dessa paralisação autoimposta.
Há uma necessidade urgente de deixar de lado os jogos de poder internos e entender que a verdadeira luta é contra uma estrutura brutal que não espera. O capital se move rápido, sem remorso, enquanto a esquerda se debate em corredores e salas de discussão, como se isso fosse uma vitória. Não há tempo para lisonjas intelectuais ou para ponderações de um idealismo abstrato e distante. É preciso união de propósito. É preciso ação.
A ação direta é o que tem o poder de transformar, mas ela se perde na burocracia da própria organização da esquerda. Ação direta é o corpo no mundo, é a presença em cada luta, em cada bairro, em cada rua. É o combate ao sistema no aqui e agora, é resolver o que pode ser resolvido agora, é tirar das mãos do capitalismo o que ele toma de nós. A ação não espera. A ação não se atrasa. Mas o debate ideológico que consome o espaço e as energias da esquerda tem impedido que ela seja tomada.
Essa postura de disputa interna, de querer provar quem é mais revolucionário ou mais fiel à teoria, não leva a lugar nenhum. Pior: serve de cortina de fumaça para a inércia. A realidade não se altera com discursos e debates. Ela se altera com prática, com organização concreta, com união de esforços em torno de um objetivo comum. Falar que há urgência é dizer o óbvio. Mas enquanto uns discutem o óbvio, o capitalismo segue avançando. Enquanto discutem quem tem razão, perdem o foco.
É preciso abrir mão do ego e focar na missão comum. A esquerda só será forte quando parar de se dividir. E é exatamente isso que o capital deseja: que se dispersem, que se enrolem em mil discursos até que não reste mais energia para agir. Que não vejam que o único jeito de avançar é juntos, com uma só força.
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